quinta-feira, 3 de abril de 2014

Michael Gough : O Gentleman Sádico do Terror


 Apesar de nunca ter alcançado o status de seus nobres colegas Peter Cushing e Christopher Lee, MICHAEL GOUGH foi um dos rostos mais representativos do cinema de terror britânico de todos os tempos.

Nascido  Francis Michael Gough em Novembro de 1916 em Kuala Lumpur, Malásia, aonde seu pai plantava e comercializava borracha de seringueira. Determinado e ambicioso, o jovem decidiu pela carreira de ator dramático e estudou na Old Vic Theatre, uma das mais prestigiadas academias de teatro de Londres.
 Fez sua estreia nos palcos em 1936 e participou da Royal Shakespeare Company, em montagens de "Richard III", "Hamlet" e "Julius Caesar". 
Dono de uma voz grave e melancólica e armado de um característico sorriso cínico, talhou sua carreira para memoráveis vilões sádicos ( e intencionalmente divertidos) e recebeu mais tarde o apelido de "o Vincent Price inglês".
Começou no cinema em 1948 e esteve em "Anna Karenina" (1948) com Vivian Leigh e em "O Homem do Terno Branco" (1951) com Alec Guinness.
Seu primeiro filme de terror foi o clássico da Hammer "Dracula" (O Vampiro da Noite, 1958) de Terence Fisher, aonde viveu o ansioso e nervoso Arthur Holmwood, irmão da bela Lucy (Carol Marsh), que é vítima dos ataques do conde vampiro (Christopher Lee).



 Inicialmente descrente da situação sobrenatural, depois de testemunhar sua irmã voltar do túmulo, acaba ajudando o Professor Van Helsing (Peter Cushing) a se livrar de Drácula e salvar sua noiva Mina (Melissa Stribling).



Muito se fala da atuação da dupla Cushing/Lee neste filme, mas Michael Gough desempenha maravilhosamente bem o medo e a impotência de Arthur, em contraste com a ferocidade e sexualidade animal do Conde de Christopher Lee.




Graças ao sucesso do filme e de seu papel de destaque, Gough foi escalado pelo produtor/roteirista Herman Cohen para estrelar "Horrors of the Black Museum" (Horrores do Museu Negro, 1959) de Arthur Crabtree. 



Gough vive Edmund Bancroft, um obsessivo escritor de histórias policiais sangrentas que possuí um museu particular de instrumentos de tortura medieval. Ele controla seu assistente, forçando o homem a cometer crimes horrendos para depois descreve-los nas páginas de seus relatos, e os restos de suas vítimas são despachados em um tanque de ácido do museu.





 Gough vive o lunático Bancroft com visível prazer, deixando bem claro que se divertiu bem mais fazendo um vilão.




Também para Herman Cohen, Gough estrelou "Konga" (1961) de John Lemont, no papel do doido botânico Dr.Decker, que descobre um soro capaz de aumentar o tamanho dos seres vivos. Ele testa em  Konga, seu chipanzé de estimação e o transforma em um gorila (!?). 



Sua desprezada e ciumenta assistente (Margo Johns), sabendo de sua queda por uma jovem estudante (Claire Gordon) administra uma overdose do soro no macaco, transformando-o em um gigante que aterroriza Londres e acaba por mata-lo.



 A dedicação de Gough em interpretar os diálogos absurdos e engraçados do personagem, em contraste com a rigidez e seriedade de seus trabalhos no teatro clássico, ajudaram a transformar este barato terror-trash em um Cult-Movie!





Michael Gough parece também ter se divertido muito em "What a Carve Up!" (1961) de Pat Jackson, uma comédia de humor negro, aonde viveu o sinistro e manco Fisk, o mordomo de uma mansão assombrada para aonde se dirigem uma série de personagens excêntricos, vividos por Donald Pleasence, Dennis Price, Shirley Eaton e outros. Baseado na novela "The Ghoul" de Frank King, levada pela primeira vez às telas (de forma séria) em 1933 com Boris Karloff.


Gough foi o corrupto Lorde D'Arcy, que rouba o trabalho do músico Petrie (Herbert Lom), e acaba transformando-o em um vingador deformado que aterroriza um teatro Londrino em "The Phantom of the Opera" (O Fantasma da Ópera, 1962) de Terence Fisher.




Em "Black Zoo" (Feras Sanguinárias, 1963) de Robert Gordon, com roteiro e produção de Herman Cohen; Gough foi o  sádico proprietário de um zoológico e líder de um culto de adoradores de animais que utiliza as feras ( leões,tigres, leopardos e um gorila, que ele chama de "minhas crianças") para matar seus inimigos.



 Gough já estava familiarizado com as divertidas produções "B" de Cohen e principalmente com o gorila (a mesma fantasia utilizada em Konga).





Para a produtora Amicus, ele apareceu na antologia "Dr. Terror's House of Horrors" (As Profecias do Dr. Terror, 1965) de Freddie Francis.



 No episódio "Disembodied Hand", Christopher Lee é um pomposo crítico de arte que vilipendia o trabalho de um artista sensível e meio perturbado (Gough) que acaba cometendo suicídio. A mão decepada (e viva) do artista passa a perseguir o crítico.




Gough também participou como coadjuvante em mais dois filmes da Amicus, "The Skull" (A Maldição da Caveira, 1966)  e "They Came from Beyond Space" (1967), ambos de Freddie Francis. O primeiro trás Peter Cushing como um colecionador de objetos macabros que se vê sob a influência sobrenatural da caveira do Marquês de Sade, 



...enquanto o último fala sobre alienígenas invasores que planejam dominar a Terra espalhando uma praga sobre a raça humana. Gough vive o "Mestre da Lua", o líder dos invasores.


"Berserk!" (Espetáculo de Sangue, 1967) de Jim O'Connolly, outra produção de Herman Cohen, apresenta os problemas de um circo dirigido por Monica Rivers (Joan Crawford), que passa a ser alvo de estranhos assassinatos. Gough é Albert, ex-amante de Monica e uma das vítimas.





A mesma dupla (Gough e Joan Crawford) também esteve em "Trog" (Trog, o Monstro da Caverna, 1970) de Freddie Francis, co-produção de Herman Cohen. Crawford é uma antropóloga que tenta domesticar e estudar um troglodita encontrado em uma caverna. Michael é um burocrata que se opõe aos gastos com a criatura e a barbariza, liberta e acaba sendo morto por ela.






Em 1968 Michael se reuniu com Boris Katloff, Christopher Lee e Barbara Steele para " The Curse of the Crimson Altar" (A Maldição do Altar Escarlate) de Vernon Sewell. Na história de uma família sob a influência maléfica de um culto a bruxa Lavinia (Steele), Gough é o mordomo de uma mansão sombria. A experiência em interpretar mordomos mais de uma vez seria muito importante para Gough no futuro, como veremos mais tarde...






Logo ele estaria novamente em um papel principal, só que em um terror classe "B" chamado "The Corpse"/ "Crucible of Horror" (1969) de Viktors Ritelis. Michael Gough é um sádico pai-de-família que atormenta a esposa (Yvonne Mitchell) e a bonita filha (Sharon Gurney), ao ponto das duas acabarem assassinando-o. 





Mas os problemas apenas começaram, já que seu corpo começa a aparecer em diversos lugares da casa para atormenta-las. Uma curiosidade : Sharon Gurney era casada com Simon Gough, filho de Michael Gough (que no filme faz o seu filho Rupert!)
Como favor para o produtor James Nicholson, Michael Gough fez uma  rápida participação especial-surpresa no final de "The Legend of Hell House" (A Casa da Noite Eterna, 1972) de John Hough, um clássico filme sobre uma casa-mal-assombrada.




CONTINUA...










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