domingo, 19 de janeiro de 2014

Klaus Kinski : Gênio Rebelde (Última Parte)


Cansado de suas brigas com os diretores, Kinski resolveu ele mesmo escrever e dirigir um filme seu. Convenceu o produtor Augusto Caminito (Nosferatu a Venezia) a investir em um filme histórico-biográfico sobre o excêntrico e virtuoso violinista italiano Niccòlo Paganini. 





"Kinski's Paganini" (1989), mostra os últimos tempos de vida do gênio louco e mulherengo do século 19, figura pela qual Kinski sentia total identificação. Além de interpretar o papel principal, Kinski colocou seu filho Nikolai como Achille (filho de Paganini) e sua última e linda esposa Debora Caprioglio (que assinou como Debora Kinski) como a personagem Antonia, uma das muitas mulheres do violinista considerado "diabólico".


 O filme tem a nítida influência de muitas obras de Jesus Franco, com quem Klaus Kinski trabalhou diversas vezes. Não possui um roteiro ou edição coesos, mas um mosaico de cenas e flashbacks de Paganini e suas inúmeras conquistas (e cenas de sexo no limite do explicito), seu filho e sua morte dolorosa com tuberculose e doenças venéreas.


Uma obra caótica e de excessos, sobre uma vida torturada e de excessos como o próprio ator/diretor...
Caminito acusou Kinski de transformar seu filme em uma obra pornográfica e o processou judicialmente, conseguindo relançar o filme com diversos cortes nas cenas mais ousadas. 



Debora, que vivia com o ator a dois anos, se separou dele logo após o término das filmagens.

Em 23 de Novembro de 1991, Klaus Kinski foi encontrado morto em sua casa isolada na Califórnia. A autópsia revelou que ele falecera de causas naturais devido a um problema no coração. Nikolai foi o único filho que compareceu a seu enterro.


Herzog, que uma vez diagnosticou Kinski como um esquizofrênico-paranoico, disse mais tarde: "Ele tinha uma sensibilidade exacerbada inconcebível para o resto de nós, uma espécie de "formulação instintiva". O que Kinski tinha era genialidade." O diretor alemão também revelou que muitos dos ataques mútuos feitos através da imprensa eram inventados pelos dois "melhores inimigos". Eles se ligavam e ficavam horas se divertindo, inventando como um iria xingar o outro na próxima entrevista. "Claro que Kinski tinha muitos problemas, mas no fundo era um ator fenomenal, e é fácil trabalhar com pessoas assim..." (Werner Herzog)



                            Pichação em um prédio de apartamentos em que Kinski morou...



No começo de 2013, 22 anos após a sua morte, o nome de Klaus Kinski estampou manchetes em jornais, revistas e foi um dos assuntos mais comentados na Internet durante um tempo. Sua filha Pola lançou o livro "Kindermund", onde afirma e descreve ter sido abusada sexualmente pelo pai durante anos. 



                                                                     Klaus e Pola Kinski

Em suas memórias, Klaus Kinski sugere que teria feito sexo com sua filha Nastassja, ela desmentiu mas apoiou sua meia-irmã quando esta o denunciou.
Ao contrário de Pola, Nastassja Kinski declarou que o pai tentou, mas nunca conseguiu abusar dela sexualmente. "Ele era um tirano", ela diz, confirmando de Kinski aterrorizava a família. "De repente, ele tinha crises de raiva e jogava contra a parede tudo o que encontrava pela frente, sempre aos gritos", lembra a atriz.




                            Klaus com Pola, Nastassja e a mãe de Nastassja, Brigitte Tocki

Sua autobiografia "All I Need is Love",  é um dos ataques mais cruéis sobre a indústria cinematográfica já escritos, e foi retirada de circulação por razões legais e posteriormente relançada como "Kinski Uncut" nos EUA e Reino Unido, "Ich Liebe Brauche" na Alemanha e em vários outros idiomas. 
Muitos críticos comentam que a autobiografia do ator é cheia de delírios, fantasias e meia-verdades...como poderia ser diferente vinda de alguém que viveu uma vida de delírios, criatividade e excessos?



"Você pode testemunhar Klaus Kinski ter uma mudança de humor dentro de um minuto , dentro de uma sentença, enquanto sua mente leva-o de uma imagem irritante para uma calmante e bem-humorada. Se você observar seu rosto , enquanto ele fala, você vai vê-lo tornar-se uma máscara de ira, seu olhar ameaçador quando ele cospe palavras de desprezo e indignação Então, de repente, vai haver um sorriso tão suave que algo vai contrair em seu peito . É impossível não responder. "Ele é tão perto da superfície" , eu tinha pensado em uma de nossas primeiras conversas longas ao telefone. Mas depois que eu passei algum tempo com ele , às vezes eu sentia que não havia superfície em tudo. Eu penso nele agora como consciência exposta, tão frágil como um órgão humano retirado da caixa de proteção do corpo. "    (depoimento da jornalista/escritora Marcelle Clements, que entrevistou Klaus Kinski para a revista Playboy em 1985)







KINSKI LIVES...

2 comentários:

  1. Uma pena essa ter sido a última parte sobre o Klaus Kinsi... mas o Titio Coffim falou tudo!
    Mais , só se esse louco maravilhoso não tivesse morrido tão cedo...
    Obriga por ter adicionado tantas informações legais aos parcos conhecimentos que eu tinha sobre o meu muso!

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  2. genial,rebelde,q sabe q é ou pode ser o melhor no q faz. estes sao sempre mais interessantes. cada artista é unico,e kinski foi kinski.

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