sábado, 11 de janeiro de 2014

Klaus Kinski : Gênio Rebelde (Parte 5)


Klaus Kinski viveu um playboy milionário envolvido com os escândalos de um bordel de luxo em "Madame Claude" (1977) de Just Jaeckin. O diretor de "Emmanuelle" disse que os produtores relutaram muito em aceitar Klaus neste drama erótico, com medo de seus habituais problemas; "Mas ele interpretou a si mesmo e foi muito profissional" comentou o diretor francês.



Na verdade, Kinski vivia na época como um verdadeiro milionário, hotéis de luxo, dietas de caviar, escolhia e por muitas vezes recusava Ferraris e Rolls-Royces que os produtores lhe ofereciam para fazer aparições breves em filmes e ter seu nome como chamariz nos cartazes.



 Werner Herzog o chamou para outro papel feito sob medida, "Nosferatu : Phantom der Nacht" (Nosferatu - O Vampiro da Noite, 1979). Refilmagem atmosférica e com ótima produção do clássico do cinema  mudo de F.W.Murnau. Kinski está perfeito no papel do vampiro atormentado e sem dúvida seu Drácula é um dos mais assustadores da história do cinema.






Mas sua vida de extravagâncias o levaram a se separar de sua terceira esposa, deixando com ela seu filho Nikolai Kinski (futuramente também ator e o único que o acompanhou até a morte).




                          Klaus e sua esposa vietnamita Minhoi Loanic, grávida de Nikolai


Sua personalidade conturbada e explosiva e suas experiências na época da guerra foram exploradas por Herzog em "Woyzeck" (1979), filmado apenas uma semana após o término de "Nosferatu".




 Baseado em uma peça teatral, conta o drama de Franz Woyzeck, um modesto fuzileiro na Alemanha do séc. XIX. Mentalmente perturbado, ele se desdobra para conseguir sustentar sua jovem esposa (Eva Mattes, premiada em Cannes por sua atuação no filme) e filho, enquanto é vítima de seu capitão, de um médico visionário e escárnio da população local.




Kinski continuou aprontando das suas, quando fazia o drama francês "Haine" (1980), com Maria Schneider, ele se cansou das filmagens arrastadas e como já havia recebido seu cachê, simplesmente desapareceu, deixando nas mãos do diretor o problema de terminar o filme sem o ator principal (cenas foram cortadas e um dublê de corpo foi chamado para cenas em longa distância..).




Ele viveu um médico terapeuta tarado (e um dos suspeitos dos assassinatos de seus pacientes) no fraco terror/slasher "Schizoid" (Esquizofrenia, 1980) de David Paulsen.




Kinski esteve a vontade no drama "Les Fruits de la Passion" (Os Frutos da Paixão, 1981) de Shûzi Terayama.  Nesta continuação de "A História de "O"" (1975, de Just Jaeckin), ele é Sir Stephen, que mantêm uma relação de dominação com a bela "O" (Isabelle Illiers) em um bordel chinês dos anos 20.



 Apesar de baseado na novela erótica de Pauline Réage e conter várias cenas de sexo, é na verdade uma história triste sobre um amor não concretizado, feito com rigor estético e cheio de simbolismos.






Klaus Kinski e um ótimo elenco (Oliver Reed, Sarah Miles, Michael Gough, Susan George, Sterling Hayden) estiveram no misto de suspense policial e Terror-Animal "Venom" (1981) de Piers Haggard. A história de terroristas internacionais que ao tentarem um sequestro ficam presos em uma casa a mercê de uma perigosa serpente Mamba Negra, teve diversos problemas em sua produção.




 O diretor inicial era Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica) e após alguns dias de filmagens ele pediu demissão (Hooper afirma que foi por desavenças financeiras, mas Kinski diz que liderou uma rebelião no elenco para derrubar o diretor americano!); o novo diretor teve diversos problemas com as brigas entre Kinski e Oliver Reed, que se odiavam e afirmou em um comentário no relançamento em DVD que o notório brincalhão Reed se divertia provocando seu colega para vê-lo furioso.


Kinski fez o papel do terapeuta sexual Dr. Zuckerbrot na ótima comédia "Amigos, Amigos, Negócios à Parte" (1981) de Billy Wilder, antes de embarcar para uma outra aventura insana com Werner Herzog...


CONTINUA...



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