quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Klaus Kinski : Gênio Rebelde (Parte 4)

Em 1972, Kinski foi escalado para um trabalho difícil e por vezes doentio: "Aguirre, der Zorn Gottes" (Aguirre, a Cólera dos Deuses) de Werner Herzog. O brilhante cineasta alemão havia embarcado nesta produção rodada inteiramente na floresta Amazônica, com um orçamento modesto e apenas uma câmera de 35mm que literalmente roubara da escola de cinema que frequentou na Alemanha.






Contanto a saga de conquistadores espanhóis do século 16 em busca da lendária cidade de ouro Eldorado em plena selva e enfrentando as forças da natureza, índios, feras e a loucura de Dom Lope de Aguirre (Kinski) que sonha conquistar toda a América do Sul.



 Uma obra-prima do cinema dos anos 70, uma jornada fascinante no coração das trevas do ser humano e  com filmagens envoltas em caos!



Diretor e ator com temperamentos difíceis e explosivos, brigas, ameaças, acessos de cólera (de ambos os lados) e as naturais dificuldades de se filmar em meio a floresta e com pouco dinheiro...
"Herzog nunca me deu nenhuma ordem, nenhuma instrução em minhas cenas. Eu sou o único que faz isto!" (Kinski em entrevista para a revista Playboy americana em 1985).
Herzog havia conhecido Kinski ainda jovem, quando os dois ainda viviam na miséria. Kinski, 16 anos mais velho, fascinou o jovem Werner - "Ele destruía banheiros, batia portas e xingava os críticos teatrais ("Eu não fui excelente! Eu não fui extraordinário! Eu fui monumental, fui memorável!") e até as pessoas que tentavam ajuda-lo".
Se ao menos alguém pudesse aproveitar toda aquela energia...



Mas suas brigas e agressões verbais e físicas durante as filmagens são notórias. Kinski desmente a lenda (repetida por Herzog várias vezes em entrevistas) de que o diretor havia ameaçado lhe dar 8 tiros (quando ele ameaçou abandonar as filmagens) e depois se matar com a nona bala. "Esta história é pura merda, porque ele nem tinha uma arma para atirar! Não havia nenhuma arma com nove balas! E eu era o único que tinha um rifle de verdade."  (idem)
O resultado disto foi uma das melhores atuações do ator e um grande clássico na carreira de Herzog.


Na década e meia que trabalharam juntos, os dois ficavam anos sem se falar. Então Herzog telefonava para Kinski no meio da noite para se encontrarem em outra parte estranha do mundo para mais uma produção amalucada. E Klaus Kinski concordava. "Ele é um grande imbecil, mas... menos do que os outros", disse Kinski.




Mas a carreira de Kinski prossegui em diversos gêneros. Ele voltou ao terror com "La Morte ha Sorriso all'Assasino" (A Morte Tem Sorriso de Assassina, 1973) de Aristide Massaccesi (depois, Joe D'Amato) . Ele faz o papel do Dr. Sturges, um cientista que descobre uma antiga fórmula capaz de ressuscitar os mortos.






 Ele utiliza este segredo para executar uma vingança e um casal de irmãos se vê envolvido na trama. Um filme confuso (o diretor em começo de carreira), mas com um ótimo clima gótico e claro, sendo um filme de D'Amato, muitos elementos de perversão e montanhas de cenas gore! Kinski está em casa no papel, e  Massaccesi disse no livro Spaghetti Nightmares (Palmerini & Mistretta 1996): "Apesar de tudo, Klaus Kinski era um excelente ator profissional, eu trabalhei com ele novamente em um filme de guerra." 



Kinski foi o ator principal em dois filmes italianos de terror, que normalmente são confundidos um com o outro. "La Mano Che Nutre la Morte" (1974) e "Le Amanti del Mostro" (1974) de Sergio Garrone; foram realizados ao mesmo tempo, com elenco e equipe técnica (incluindo efeitos de maquiagem de Carlo Rambaldi) praticamente iguais, mas contando histórias diferentes. No primeiro, Kinski é o Prof. Nijinsky, um sábio louco que procura o segredo da morte com experimentos envolvendo lindas mulheres...


                                                                     o Professor Nijinski




Em "Le Amanti del Mostro", ele faz o Dr. Alex Nijinski (!!?!), uma versão spaghetti para a história de Jekyll & Hyde, com o Dr. se transformando, graças a uma fórmula, em um monstro sedento de sangue e...sexo!



o Doutor Nijinski


Ele teve participações pequenas (mas marcantes) na ficção-científica "Lifespan" (1975) de Sandy Whitelaw e na comédia-spaghetti-western "Trinity e seus Companheiros" (1975) de Damiano Damiani , onde seu personagem, um pistoleiro mau-humorado é ridicularizado por Terence Hill (aqui fazendo outro cowboy cômico e não Trinità/Trinity)...
Kinski fez sua última (e memorável) participação em um filme de Jesus Franco: "Jack the Ripper - Der Dirnenmötder
 von London (1976). 


Aqui ele é o respeitável e caridoso Dr. Dennis Orloff de dia e o temível Jack, o Estripador á noite!
Uma produção com mais cuidados técnicos, um clima tétrico ao estilo Hammer Filmes e montanhas de sangue e tripas!
Kinski se sai muito bem vivendo os dois lados opostos do médico carniceiro em mais uma atuação notável.



CONTINUA...


Um comentário:

  1. Maravilha!!! "La Mano che Nutre la Morte" eu nunca vi e nem o ""Le Amanti del Mostro"!
    Já estou catando!!!!
    Obrigada , Titio Coffin!!!

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